segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Trabalho e Desenvolvimento Humano

por Julio Canuto

Abaixo você tem a 12a entrevista da série de vídeos produzida sobre o Atlas Brasil 2013. Tenho visto os demais vídeos, mas achei este muito interessante por trazer o diretor do Escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o economista bengalês Selim Jahan, principal autor do documento que terá o tema "Repensando o trabalho para o desenvolvimento humano", no qual propõe uma reformulação para ampliação do conceito de trabalho. Como você verá a seguir, são questões muito importantes e bastante atuais, para repensarmos nossa sociedade, o papel dos diferentes tipos de trabalho, da renda e, principalmente, nosso lugar nela, sempre tendo como principal premissa (que permanece desde o início do RDH): as pessoas são a verdadeira riqueza das nações.

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Para consultar o IDH de seu município, acesse o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.


Série “Atlas Brasil 2013 - Desenvolvimento Humano em debate”: Selim Jahan

O economista bengalês fala sobre a evolução do conceito de desenvolvimento humano nas últimas décadas e sobre o novo mundo do trabalho, tema do próximo RDH.
    Duas mulheres alimentam bebês no orfanato Vienping
    O TRABALHO DE ASSISTÊNCIA E DE CUIDADOS, GERALMENTE PRESTADO POR MULHERES, TAMBÉM SERÁ ABORDADO NO PRÓXIMO RDH. FOTO: LIBA TAYLOR/ UN PHOTO.

    Acesse o Atlas Brasil.

    O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil é um site de consulta ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e a mais de 200 indicadores socioeconômicos que apoiam sua análise. Com dados dos Censos Demográficos de 2010, 2000 e 1991, o Atlas traz informações dos 5.565 municípios brasileiros, dos 27 estados, de 16 regiões metropolitanas e mais de 9 mil Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH). 
    30 Janeiro 2015
    do PNUD

    O mundo atual possui inúmeras diferenças em relação ao que possuía duas décadas e meia atrás, quando foi lançado o primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano, em 1990. A premissa daquele relatório, no entanto, continua a mesma até hoje: as pessoas são a verdadeira riqueza das nações.  

    O documento que traz o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) surgiu como um contraponto à visão de desenvolvimento da época, que usava o Produto Interno Bruto (PIB) como único indicador, e tornou-se referência mundial sobre o tema, colocando as pessoas no centro do debate. 

    Durante esse tempo, explica o diretor, o conceito de desenvolvimento humano, que trata basicamente de ampliar as escolhas das pessoas para que elas possam ser aquilo que desejam ser, foi alargado em duas frentes. 

    Uma delas diz respeito à noção de segurança humana: a violência nas ruas ou doméstica e  até mesmo a segurança alimentar, por exemplo, são questões importantes que podem limitar a liberdade das pessoas e comprometer o desenvolvimento humano. A outra abordagem incorporou a noção de Direitos Humanos, “porque ter direitos funciona como uma base sobre a qual você pode expandir suas escolhas. Se você não tem direitos, se os seus direitos são violados, independente das escolhas que você tem, você não pode exercê-las”, afirma Jahan.

    O mundo do trabalho: tema do RDH 2015

    Repensar o conceito de trabalho e como ele pode impactar o desenvolvimento humano será a missão do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do PNUD, de acordo com o economista e principal autor do documento.
    Capa do RDH
    RDH 2014. IMAGEM: DIVULGAÇÃO PNUD.
    “Quando falamos de trabalho, basicamente, falamos sobre empregos tradicionais, mas sabemos que em nossa vida familiar, em nossa vida comunitária, há o trabalho de cuidado no seio das famílias e sociedades. Há trabalho voluntário que as pessoas fazem, há também o trabalho criativo - dos escritores, dos pintores, dos músicos. Todos estes conduzem ao desenvolvimento humano”, diz.

    Por outro lado, o diretor do Escritório do RDH questiona a relação positiva entre trabalho e desenvolvimento humano. Ele explica que alguns tipos de trabalho, como o trabalho forçado ou que envolvam grandes riscos, por exemplo, são o oposto e atrapalham o desenvolvimento humano. 

    Outro aspecto que será abordado no próximo RDH é  o chamado trabalho de cuidados, também conhecido como trabalho de assistência (do inglês, care work). Essa modalidade - geralmente não reconhecida e valorizada - é prestada por mulheres na maior parte do mundo e, por isso, possui um forte aspecto de gênero que deve ser estudado para entender suas dinâmicas e implicações para o desenvolvimento humano.

    A reinvenção do mundo do trabalho também trouxe mudanças que estão sendo incorporadas gradualmente nas sociedades. O trabalho à distância, por exemplo, já é uma realidade. Jahan defende que escritórios não são mais necessários já que graças aos avanços tecnológicos é possível trabalhar de qualquer lugar. E a revolução digital não para por aí. A previsão é que, nos próximos anos, algumas ocupações devem desaparecer enquanto diversas outras irão surgir. “Em um estudo recente, li que as crianças que irão nascer daqui a 20 anos, por exemplo, ainda não tiveram seus trabalhos inventados”.
     
    Lidando com números: o problema em usar médias

    A parte mais técnica da entrevista fica por conta de um tema recorrente no universo estatístico: a desagregação de dados. Para o diretor do Escritório do RDH, o uso de médias em dados socioeconômicos pode mascarar as disparidades e desigualdades que existem em um determinado território, trazendo altos e baixos para uma espécie de meio-termo.

    Por esse motivo, o economista sugere a desagregação por raça e gênero como um caminho que auxilia o país a visualizar suas conquistas e seus desafios nesses temas. “A desagregação é absolutamente necessária porque ela auxilia a formulação de políticas, porque a menos que você desagregue os dados e veja onde estão os problemas, você não pode formular políticas públicas para lidar com essas questões”.

    Assista na íntegra a entrevista com Selim Jahan, economista e diretor do Escritório do RDH do PNUD: 


    Série de vídeos “Atlas Brasil 2013 – Desenvolvimento Humano em debate”

    As entrevistas para a série Atlas Brasil 2013 – Desenvolvimento Humano em debate foram gravadas com representantes de governos estaduais e municipais, ONGs, setor privado, academia, entre outros.

    Cidadania, transparência, gestão pública e indicadores municipais são os temas centrais das entrevistas, que procuram demonstrar como indicadores de desenvolvimento humano podem colaborar para o empoderamento da sociedade, orientando caminhos e provocando a reflexão sobre os rumos do desenvolvimento humano no país.

    Acompanhe a série também pelo canal do PNUD Brasil no YouTube.

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